Please reload

Relatos de um Teacher Viajante: Mochilando pela Nova Zelândia Part 2

March 15, 2018

 

Viajando com pouca grana!

 

 

Kia Ora[1] aventureiros e curiosos de plantão! Estou de volta com mais um post, hoje para falar um pouco sobre meus primeiros dias em Nárnia, algumas dicas de acomodação e claro, como me planejei para conseguir realizar esse sonho.

 

Para começar, eu não tinha nenhum plano muito claro. Sou teimosa e impulsiva, duas qualidades que, para a maioria são uma mistura letal, porém para mim, são extremamente vantajosas. Minha teimosia me faz ser focada, então, se coloquei na minha cabeça que iria para a Nova Zelândia, ninguém conseguiria me dizer que não. E assim, durante quase um ano juntei minhas economias, cortei custos, fiz sacrifícios e claro, com a minha impulsividade, larguei tudo (emprego, família, amigos e crushes haha) para me aventurar no paraíso.

Meu único plano era “Acredito que se eu juntar em torno de R$10.000 consigo ficar ao menos um mês por lá... bora? Bora!”. Então, comecei a pesquisar custo de vida, preço de passagens, alternativas mais baratas para viajar, entre outros. Foi aí que ter informações concretas sobre meu destino me ajudaram a me planejar; saber que o país era seguro para pedir carona e fazer Couchsurfing, por exemplo, foi essencial para minha viagem se concretizar. No fim, consegui juntar em torno de NZ$5,000 [2]e para mim era mais que o suficiente para mochilar.

O mochilão é um perfil de viagem que não se encaixa para qualquer um. Se você é uma pessoa aventureira e não tem medo de se arriscar e não se importa em improvisar, essa pode ser uma alternativa em conta para você. Para pessoas mais sistemáticas, que gostam de planejar uma viagem com todo o cuidado, ficar em lugares confortáveis e garantias de tudo, melhor repensar sobre o mochilão e ter consciência das coisas que abrirá mão.

O mochilão possui muitas vantagens, mas também há os revezes que precisam ficar claros. Algumas das vantagens, caro aventureiro, acredito que você já deva saber bem: você tem mais liberdade para ir onde quiser na hora que quiser sem depender de guias e horários, você economiza uma boa grana com acomodação, pois um mochileiro que se preze não irá pagar mais que NZ$30 – NZ$40 por noite e qualquer lugar está bom para tirar um cochilo. No mochilão, andar alguns bons quilômetros, pedir carona na estrada e usar transporte público fazem parte da sua rotina e do mantra “não tenho grana” que precisa estar na sua cabeça. Pro mochileiro, quanto mais comunicativo for, melhor.

 

 

 

Fazer amigos em hostels, na estrada ou no camping te ajudam a economizar dinheiro, descolar comida ou até mesmo caronas – e muitas vezes acomodação – como aconteceu várias vezes comigo. Porém, no mochilão, cada dia é o dia. Você precisa estar preparado para diversas situações, estar disposto a ficar uma noite acordado por não arranjar um lugar para dormir, estar disposto a ser criativo e improvisar na hora de ir ao banheiro (acontece...) e claro, estar consciente que os banquetes serão raros e ter em mente que vale mais comer um prato de comida quente do que gastar com besteirol. Fiquei em abstinência de chocolate nas primeiras semanas, pois eu precisava controlar muito bem os meus gastos. Com NZ$10,00 eu poderia comprar umas duas barras de chocolate, mas também podia garantir o meu jantar.

Apesar de tudo isso, mochilar te faz amadurecer muito. No meu mochilão eu fiquei mais perto de mim mesma. Conheci quem eu sou de uma maneira mais profunda. Aprendi a lidar com pessoas, aprendi a ter um pouco mais de lábia, aprendi a ter paciência e a ter uma consciência mais otimista das coisas. Aprendi a relaxar e confiar que de alguma maneira, tudo daria certo. Aprendi a dar valor as pequenas coisas e de uma maneira surreal, fiquei um pouquinho mais próxima de Deus.

Há outras alternativas para acomodação. Para viajar gastando pouco, o Couchsurfing é a melhor opção, pois você não gasta NADA. Você talvez esteja se perguntando o que é Couchsurfing.[3]

 

Bom, nada mais é que um site onde você cria um perfil (como se fosse uma rede social). Nesse website você entra em contato com pessoas do mundo inteiro que ou precisam de um lugar para ficar por uns dias ou querem receber viajantes. O processo é totalmente gratuito. As pessoas abrem as portas de suas casas para você ficar por lá, normalmente você dorme no sofá (couch em inglês), ou divide o quarto com mais pessoas. E, muito importante, o dono da casa, muitas vezes, te deixa livre para comer a comida dele (e aí é importante o bom senso, certo?!). Se você se planejar muito bem, você consegue fazer uma viagem inteira através do Couchsurfing. Só mudar de casa a cada três ou quatro dias e sua acomodação será totalmente gratuita! Outras opções são os Hostels que, diferentemente de um hotel tradicional que você paga pelo quarto todo, no hostel você paga apenas pela cama e divide o quarto com mais pessoas. Dependendo do hostel, você tem opções de quartos mistos (mulheres e homens) – que são os mais baratos, ou quartos femininos ou masculinos. No hostel você divide o banheiro com as outras pessoas e também a cozinha. A vantagem é que você pode economizar nas refeições, cozinhando sua própria comida ao invés de ir a restaurantes que costumam ser caros. E claro, se você é um aventureiro nível hard, sempre há opção de campings. Num país como a Nova Zelândia que é praticamente inóspito, acampar é muito fácil e claro, gratuito. Mas para isso, você precisa estar mais preparado, não apenas com os equipamentos adequados, mas também com certa noção e experiência com camping de aventura.

 

Eu deixei tudo para trás no dia 3 de Maio de 2016. Sai do Aeroporto Internacional de Guarulhos para Buenos Aires, Argentina e de lá embarquei para a Nova Zelândia pela Companhia Air New Zealand[4]. Cheguei em Auckland no dia 5 de Maio de 2016 mais ou menos às três horas da manhã. No avião, meu maior medo era me deparar com a imigração por causa das histórias má sucedidas de outros brasileiros. Fiquei tão nervosa que tive que preencher o cartão de desembarque umas três vezes. Mas, deu tudo certo. Quando o avião pousou em Auckland, apesar das milhares de borboletas no meu estômago, segui o fluxo de pessoas, passei pela imigração onde a policial me recebeu com um sorriso dizendo “Good Morning”, entreguei meus documentos e ela disse “Welcome to New Zealand” – e eu era a criatura mais feliz daquele aeroporto.

Chegando em Auckland eu sabia que seria uma corrida contra o tempo. Eu tinha acomodação para apenas os quatro primeiros dias e depois disso – pelos próximos vinte e seis dias que se transformaram em doze semanas – precisava me virar. Fiquei na casa de um anjo! Alguns dias antes de embarcar consegui alguém para me hospedar pelo Couchsurfing.com. O nome do meu anjinho da guarda é Sidney e ele foi a primeira pessoa – de tantas outras – que me ajudaram imensamente.

Quando cheguei na casa do Sidney, estava muito cansada e atordoada por causa do Jet Leg – um efeito sinistro que acontece no seu corpo devido às diferenças de fuso horário e altitude. Ele me recebeu muito bem! Nós conversamos por bastante tempo e ele me preparou deliciosos Ovos Benedict de café da manhã. Eu decidi que não iria dormir, pois ir para a cama as quatro horas da manhã me faria dormir o dia inteiro. Aguentei firme durante o dia.

Havia mais pessoas na casa. Duas meninas da França, uma moça da Áustria com quem dividi o quarto e duas moças suíças. Neste primeiro dia a Ines, a austríaca juntamente com a Lisa, da França, e eu, fomos até uma praia próxima chamada Piha. A praia é famosa pela sua areia preta devido aos vulcões da região e também pelas ondas magistrais para a prática do surf. Nós tivemos muitos momentos juntas e foi muito bom essa troca cultural. Numa noite estávamos todos lá fora no quintal conversando e cantando quando dois vizinhos pularam o muro trazendo uma garrafa de vinho. Ficamos todos tocando violão e cantando diversas músicas. Foi um momento mágico entre pessoas completamente diferentes, mas ao mesmo tempo com tantas similaridades. Estávamos todos ali, à luz do luar, apreciando a companhia um dos outros do jeito que tinha que ser.

Os dias se seguiram rapidamente. Eu havia feito contato com algumas meninas brasileiras e decidi ir com elas ao centro da cidade para almoçar e tentar pegar algumas dicas.

 

Nós estávamos em quatro brasileiras e duas japonesas e fomos para um restaurante brasileiro. As japonesas estranharam um pouco o nosso tradicional prato: arroz, feijão, salada, batata frita, bife e farofa, porém elas comeram tudo – coitadas! Depois desse dia, com muitas informações coletadas, eu precisava organizar a minha vida. Fui para algumas Second Hand Shops[5] para caçar algumas roupas de inverno e outras coisas que achei melhor comprar por lá.

 

 

Visitei alguns lugares na cidade como a Sky Tower, a maior torre de Comunicação da Nova Zelândia. Tem uma vista incrível e no topo você pode andar na beirada. Sem falar no chão de vidro permitindo você a sentir e ver como seria uma queda daqueles maravilhosos 220 metros de altura.

 

Na torre, conversei com alguns outros turistas e sempre as perguntas mais básicas para puxar assunto “você poderia tirar uma foto de mim, depois tiro de você também” – normalmente as pessoas aceitam e ficam felizes por ter uma foto delas em troca. Nessa troca de favores aproveitava para perguntar de onde eram e iniciar um curto bate-papo. Eram pessoas dos mais diversos lugares: Canadá, Estados Unidos, Alemanha e claro, muitos tailandeses e chineses.

O objetivo maior da minha viagem era ficar perto da natureza. Então comecei a fugir da cidade grande e o Sidney me ajudou a encontrar algumas trilhas no subúrbio. Fiz uma trilha onde fiquei umas cinco horas enfiada dentro do mato onde não havia área de celular. Mas foi muito bom estar com a natureza e ouvir sons de pássaros que eu nem imaginava que existiam. Quatro dias após chegar em Auckland, despedi-me do Sidney, das meninas e da cidade e comecei a minha aventura pela ilha norte da Nova Zelândia. Eu estava agora completamente por conta própria. Seja o que Deus quiser!

 

 

 

[1] Significa “Olá” em Maori, a língua indígena da Nova Zelândia.

 

[2] Dólar Neo Zelandês

 

[3] Couchsurfing website: https://www.couchsurfing.com/

 

[4] Air New Zealand website: https://www.airnewzealand-br.com/

 

[5] Lojas de Segunda Mão – tipo brechó

Please reload

Please reload

   Speak One College

Horário de Funcionamento

Manhãs: 

Segunda a Sexta - 08:00 ás 12:00

Tardes & Noites: 

Segunda a Sexta - 13:30 às 22:00 - (47) 3034-6050

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

all rights reserved © speakonecollege.com.br 2019