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Relatos de um Teacher viajante: Mochilando pela Nova Zelândia Part 3

March 23, 2018

 

PART 3

 

Couchsurfing, caronas e histórias

Ilha Norte

 

Kia Ora! No poste anterior eu falei um pouquinho sobre a minha preparação para ir viajar – dando algumas dicas para os aventureiros de primeira viagem – e claro, contei sobre os meus primeiros dias na Terra Média. Se você não viu ainda, dá uma olhadinha na parte 2 da série para ficar por dentro de tudo.

Saindo de Auckland meu destino estava a pouco mais de duas horas de viagem; uma simpática e turística cidade a mais ou menos 160km ao norte de Auckland chamada Whangarei. Indo de ônibus, eu iria chegar na cidade dentro de duas horas, com algumas horas para encontrar um lugar para ficar. Tentei Couchsurfing até o último minuto, mas não consegui. Fui para o plano B – conseguir um Hostel. Fui para o App chamado Hostel World e reservei uma cama por duas noites no Hostel The Cell Block[1], uma antiga prisão que transformaram em um hostel. Tive a maravilhosa experiência de dormir dentro de uma cela de prisão. As marcas de unhas e escritos ainda estão presentes nas paredes o que adiciona um ‘charme especial’ ao lugar.

            Chegando a cidade, precisei me localizar e encontrar o hostel o mais rápido possível, bem como um supermercado[2] em conta para me preparar para os próximos dias. Havia um detalhe: eu fui para a Nova Zelândia sem saber cozinhar muito bem... Eu sabia fritar ovo (mais ou menos) e fazer arroz. Todo o resto tive que aprender observando as outras pessoas. Ou seja, eu estava com um grande problema!

           

 

Após me organizar, sai para dar uma volta pela cidade. Foi quando eu encontrei um simpático moço chamado Brownie. Ele começou a conversar comigo ao me ver pela orla do rio Hatea. Tivemos um bom papo sobre diversas coisas. Contei a ele sobre a minha viagem pelo país, contei-lhe sobre o Brasil e conversamos sobre Deus. Brownie havia acabado de se converter e estava radiante de felicidade. Eu pude ver a sua alma feliz e transbordando. Ele me mostrou algumas partes da cidade, algumas pinturas de representação Maori e me levou para uma pequena trilha na reserva próxima. Ele ofereceu-me um lugar para passar a noite, trocamos telefones caso eu precisasse de algo durante a minha viagem e paramos uns minutos para orar. O Brownie tocou profundamente meu coração com a sua sensibilidade e simplicidade. Conversamos por mensagens algumas vezes enquanto estava viajando pela Nova Zelândia, mas infelizmente perdemos o contato após algumas semanas.

            Naquele dia a noite, um casal do hostel, me chamaram para dar uma volta por ali perto. Eles eram da Finlândia e estavam viajando pela Nova Zelândia por quase um ano. Eles conseguiram um visto de trabalho e juntos estavam por ali, divertindo-se e juntando uma grana. Nós fomos para uma trilha as margens do mesmo rio que o Brownie havia me encontrado. Lá ficamos em uma área coberta por grama e cercada por árvores. Era um lugar lindo, perfeito para acampar. Ficamos ali conversando e curtindo a paisagem enquanto o sol se punha. Nós tentamos nos ensinar algumas palavras do nosso próprio idioma e foi uma missão impossível para ambos. Eles falaram algumas frases em Finlandês que não ouso tentar lembrar e creio que eles também não lembrariam as frases em português – assim estamos quites. Naquela noite, com o pessoal do hostel, juntamos os ingredientes que tínhamos e fizemos um jantar em conjunto. Havia pessoas de vários lugares incluindo Alemanha e Suiça. Após o jantar, fomos todos para fora para jogar Floor Pong[3], no final a grande maioria estava bêbada e rindo à toa! Eu não joguei, mas fiquei observando e servindo como juíza com outras duas moças.

           

 

No dia seguinte eu estava me sentindo mais à vontade. Conheci mais pessoas e inclusive uma moça chamada Ângela. Ela vinha da Alemanha e já estava viajando pelo país há uns dez meses. Coincidência ou não, ela estava indo para Tutukaka também. Após conversarmos, combinamos de ir juntas para Tutukaka e consegui uma carona com o meu charme e bom papo!

            Na manhã seguinte embarcamos rumo a pequena cidade. Tutukaka era importante para mim pois é nessa pequena vila que se encontra um centro de pesquisas chamado Orca Research Trust[4]. Quem me conhece há um tempo sabe da minha paixão pelo mar e principalmente pelos animais marinhos. Desde criança fui apaixonada por orcas – gigantescos mamíferos que, na natureza, são tão dóceis com o ser humano quanto um cão curioso. Acompanho o centro há muitos anos, assistindo à vídeos, entrevistas com a pesquisadora responsável Dra. Ingrid Visser e claro, atualizando-me no blog, consumindo o máximo de informações possíveis. Um dos meus objetivos de ter ido à Nova Zelândia era para conhecer a Dra. Visser, o projeto e claro, de quebra, e com sorte, conseguir ver uma orca de perto e na natureza.

            Em Tutukaka, nós ficamos num simpático acampamento perto do mar. A Ângela e eu repartimos nossas refeições e conversamos bastante sobre várias coisas. Ela estava em Tutukaka para fazer mergulho e ficaria ali por apenas uma noite. Na manhã seguinte ela teria que acordar cedo para ir até a marina e conseguir fazer o mergulho. Não fui com ela, pois o meu objetivo era encontrar a Dra. Visser.

            Após procurá-la perguntando nos estabelecimentos locais – todos a conheciam – fiquei sabendo que ela estava na Russia em um congresso e voltaria dentro de duas semanas apenas. Fiquei frustrada, porém um senhor chamado Chris conseguiu o número do celular dela para que eu pudesse fazer contado quando ela chegasse. Os Neo Zelandeses são muito prestativos! Meu plano então era seguir em frente e depois voltar para encontrá-la.

            Passei o resto do meu tempo explorando a pequena vila. Conversei com algumas pessoas locais, andei pela praia, fiz algumas trilhas com a Ângela, enfim, aproveitei meu tempo ali o máximo que pude. Quando fui embora, a Ângela ainda estava no acampamento, pois ela decidiu ficar um dia a mais para tentar o mergulho novamente, já que o tempo não estava ajudando. E então, peguei as minhas coisas, escrevi um singelo bilhete de agradecimento a ela e fui para a estrada pedir carona!

            Depois de uns quinze minutos percorrendo a estrada, uma van parou perto de mim. Era um homem chamado Zac quem me ofereceu uma carona.

 

Ele estava com o seu cão Jake e nós três fomos explorar algumas praias em Tutukaka. Zac me ofereceu um tour completo pela região, mostrando-me algumas praias escondidas, quase que intocadas. O Zac foi a primeira pessoa a me dar, oficialmente, uma carona na estrada. Após o nosso tour, o ele me deixou na estrada correta em direção a Paihia, Bay of Island.

Andei por cerca de trinta minutos apenas quando outra van parou no acostamento e decidiu me ajudar. O nome dele era Adam e vinha acompanhado de sua cadela Awhi (abraço em Maori). Ele havia me dito que a estrada onde eu estava andando era cheia de morros e seria muito cansativo percorrer a pé com o mochilão nas costas. Nós conversamos sobre várias coisas. Ele disse que tinha muita curiosidade de conhecer o Brasil, perguntou-me onde eu morava e por onde eu havia viajado. Ele me levou até o trabalho dele na construção civil. Ele estava construindo uma casa no anterior e aprendi um pouco sobre com as construções são feitas por lá. As casas são pré-moldadas. Eles só precisam encaixar as peças como num lego gigante e revestir as placas de madeira com um material isolante para proteger do frio e da umidade.

Uma das coisas mais interessantes sobre a Nova Zelândia é o modo como eles levam a vida. Eles são calmos e não existe aquela pressa para fazer e terminar as coisas. Eles simplesmente sabem que tudo vai dar certo e sabem como aproveitar os momentos. Com o Adam não foi diferente. Ele fez o que tinha que fazer com calma – não levou nem uma hora para terminar – com paciência me ensinou algumas coisas e pediu a minha ajuda e no fim, levou-me mais adiante na estrada.

Chegamos no ponto final onde ele teria que ficar, trocamos telefones e ele me convidou para ficar na casa dele quando eu voltasse a Tutukaka. Ali onde paramos o carro, havia um motor home estacionado e o Adam conseguiu uma carona para mim até meu próximo destino: Paihia!​

Era um casal que estava numa espécie de lua-de-mel. Eles eram da Austrália e tiraram algumas semanas para viajar de motor home pelo país. Eles já haviam feito a ilha sul e agora, no fim da viagem estavam fazendo a ilha norte para então voltar para casa. Durante o trajeto não conversamos muito pois tanto eu quanto eles estávamos cansados, mas o pouco que conversamos pude entender um pouco da história deles e eles da minha.

          

 

Quando finalmente chegamos a simpática cidade de Paihia decidi ficar por ali umas três noites para explorar bem o lugar. Era mágico. O mar era cristalino com uma cor brilhante. A cidade era muito bem organizada com muitas atividades e lugares para explorar. Do outro lado da Baía havia uma pequena vila chamada Russel onde fui explorar. Para chegar a Russel era necessário pagar a travessia já que era uma pequena ilha. Na cidade conheci museus, tomei um delicioso café da tarde e conheci meu grande companheiro de viagens – o Zac, um Kiwi de pelúcia que me acompanhou por todo o país até a volta para casa.

 

Em Paihia conheci paisagens paradisíacas e claro, dali a um pouco – eu nem imaginava, estava prestes a viver uma grande desesperadora aventura! Era hora de conhecer a Nova Zelândia a fundo e a confiar nos meus instintos, na minha fé e claro, conhecer por que os Kiwis[5] são tão maravilhosos!      

 

 

 

 

 

 

 

1] The Cell Block website: http://www.thecellblock.nz/

 

[2] Os mercados mais em conta na NZ são o Countdown (https://www.countdown.co.nz/) e o Pack’n Save (http://www.paknsave.co.nz/).

 

[3] É uma variação do jogo Beer Pong – onde você dispõe copos no chão de dois lados e tem dois times. Cada time precisa acertar uma bola de ping pong dentro do copo do time adversário. Caso não acerte, todos os participantes do time bebem. Caso acertem, os participantes do time adversário precisam beber. Ganha quem acertar em todos os copos – ou quem não cair bêbado no chão hehe

 

[4] Orca Research Trust website: http://www.orcaresearch.org/

 

[5] Apelido carinhosamente referido aos Neo Zelandeses. Eles mesmos referem-se a si como Kiwis.

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