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Relatos de um Teacher Viajante: Mochilando pela Nova Zelândia Part5

May 29, 2018

Gisborne, a cidade da chuva

Ilha Norte

 

            Kia Ora!

            Tem sido muito bom relembrar meus momentos pela Nova Zelândia. Enquanto escrevo várias memórias reacendem em mim e me bate uma saudade enorme daquele lugar. Caso você esteja tão perdido quanto eu fiquei no deserto do último post, só clicar aqui!

            Depois que o Paul me deixou de volta na estrada – na direção certa rumo ao leste – andei por um bom tempo. Eu estava tão aliviada e feliz que curti cada pedacinho da paisagem que encontrei. Andei, andei e andei... Parei para tomar água e ajeitar a mochila nas costas e claro, para tirar algumas fotos...

            Enquanto eu andava na estrada, um carro bastante simples parou um pouco a frente de mim convidando-me para entrar. Nele estavam uma mulher, ao volante, e um homem – os quais chamarei de Aria e Niko, pois realmente não recordo seus nomes. Eles eram pessoas de origem Maori e eram muito simples. Eles me levaram até uma pequena cidade pesqueira chamada Mongonui. Eles me ofereceram um lugar para passar a noite e aceitei sem pensar duas vezes. Eram pessoas muito boas com quem tive um tempo agradável. Nós conversamos muito, perguntaram-me muitas coisas sobre o Brasil e partilhamos um delicioso jantar naquela noite. Em seguida, o Niko mostrou-me uma peculiaridade na culinária Maori. Ele havia acabado de voltar do mar com um saco de mariscos – bem diferente do marisco que temos por aqui – eles eram enormes e as por lá as pessoas costumam chamar de Kutāi. Eu não sou uma grande fã de frutos do mar, porém eu gosto de mariscos... Niko então me ofereceu um dos enormes Kutāi que ele tinha e me ensinou como comê-los... Ele disse que estavam vivos e que era assim mesmo que era gostoso. Olha, se arrependimento matasse... Por que eu não disse que era alérgica, sei lá? Enfim, respirei fundo, fiz cara de entendida do assunto e engoli o bichano vivo. O único problema é que o Kutāi é grande e foi preciso mastigar... Foi difícil de segurar o carão de “hmmm, gostoso” (#sqn). Quando ele perguntou se eu queria mais, eu dispensei a generosidade! Haha

            Seguindo em frente, fui parar em Rotorua por onde fiz muitas coisas e conheci a vila mais famosa do mundo – a vila Hobbit, mas dessa peculiar localidade falarei em outro post onde poderei dar mais informações e dicas. Finalmente, depois de algumas horas cheguei em Tauranga onde conheci Mount Manganui e vi muitas, muitas ovelhas ao meu redor. Subindo o morro você poderá ver grandes pastos verdejantes com pontos brancos andando para lá e para cá – os pontinhos mimosos são ovelhas que ficam por ali curtindo uma paisagem incrível enquanto pastam e nós subimos a montanha. De Tauranga segui viagem até chegar em Gisborne, outra cidade costeira a qual guardo com carinho no meu coração.

           

 

Cheguei em Gisborne no começo da tarde e então encontrei um hostel onde me alojei. Era uma casa bastante simpática – a luz do dia – com poucas pessoas hospedadas. Após todas as formalidades de check-in, fui para a cidade explorar e ver o que tinha de interessante. Fui até a praia e subi alguns morros para ver a paisagem. Até que o clima mudou radicalmente e tive que correr da chuva e claro, cheguei ensopada de volta ao hostel. Os dias se seguiram assim: chuvosos. Fiquei poucos dias em Gisborne e gostaria de ter ficado mais.

            O que um alemão, uma suíça, um carioca e uma catarinense tem em comum? Nada. Tudo. Com a chuva maçante lá fora, não sobrou muita coisa além dos hóspedes daquele singelo hostel começarem a fazer algo juntos antes do tédio tomar conta de vez. Foi por causa da chuva e do tédio que pude conhecer essas três pessoas que aparentemente não tinham nada em comum, mas que no fim tudo se encaixou. Se a minha memória não está me pregando uma peça, era a minha primeira noite no hostel. Estava chovendo e o pessoal se reuniu na cozinha. Foi então que descobri que eu não era a única brasileira por ali. Fred, carioca viajante e eu começamos a conversar e, não sei ao certo como e porque, um alemão chamado Toby e uma suíça chamada Marie também entraram na conversa. Nossa primeira regra como um grupo era: ONLY ENGLISH. Nenhum de nós poderia falar em nossas línguas nativas, senão os outros não poderiam entender e não teria graça. A Marie arranhava no alemão, mas a sua língua oficial era o Francês. Por isso, ela tinha maior vantagem, pois ela conseguia entender um pouco do nosso português e do alemão que o Toby falava. Mesmo assim, a regra era clara. SOMENTE INGLÊS e ela era a que mais respeitava tal regra.

 

            Não tem jeito, quando você é brasileiro e está fora do seu país e encontra outro verde-e-amerelo você tem 90% de chance de falar em português. Por isso, fujam de brasileiros se seu objetivo é aprender inglês lá fora! No meu caso, tínhamos a Marie quem nos policiava então acabou ficando normal falar em inglês.

            Como que brincando, naquela noite dividimos nossos ingredientes e fizemos uma janta em conjunto. Passamos a noite cozinhando, comendo e conversando. Mais tarde decidimos que seria uma ótima ideia ver um filme... e adivinha qual filme foi o escolhido? Terror, Claro! Eu não sou fã de filme de terror, mas fiquei com o pessoal para curtir o momento. Eu estava tão cansada que provavelmente quando eu deitasse na cama eu iria apagar. Pena que chega uma hora, depois de tanto vinho que tomamos, que a bexiga começa a apertar e o banheiro do hostel ficava anexado do lado de fora da casa.

            Depois de assistir o filme sobre um tal devorador de almas de crianças que se tornavam assassinas numa casa muito parecida com o hostel onde eu estava, era hora de ir ao banheiro. O pessoal ficou na sala, e era a única sala iluminada do local – a energia elétrica na Nova Zelândia é cara, a regra em qualquer lugar é: manter luzes apagadas se não estiver usando o cômodo. Então, no escuro, sem achar o interruptor pro lado de fora, com chuva e os pés descalços fui ao banheiro. Estava tudo muito quieto e as imagens do filme não saiam da minha cabeça. Só estava torcendo para que ninguém me sacaneasse e me desse um susto quando eu voltasse – odeio o escuro, sou cagona! O banheiro tinha muito o jeito de um filme de terror. Uma fila de boxes, outra de pias, o espelho do lado oposto e claro, as portas fechadas como se houvesse alguém ali. Fui ao banheiro com muito medo e minha imaginação voou longe...

            Sabe aquela sensação de estar sendo observada? Pois então... Eu provavelmente estava dando muita asa à minha imaginação, mas eu estava com tanto receio de estar ali que provavelmente se aparecesse alguém eu daria um grito! Fiz como eu fazia em casa... Fiz tudo o mais rápido possível sem olhar para trás. Lavei a minha mão – sem olhar para o espelho – a gente nunca sabe o que pode ver no reflexo de um espelho num banheiro como aquele – e corri para a sala onde todos estavam. Meu coração estava batendo forte. Depois da minha pequena ‘reflexão’ no banheiro, todos nós decidimos ir para a cama. A noite toda a casa – velha e de madeira – começou a estalar e eu dormi pessimamente mal. Naquela noite foi como se eu tivesse dormido em uma casa assombrada... e olha que eu já havia dormido numa cela de prisão!

            No dia seguinte a chuva havia ido embora. Aproveitamos a brecha que tivemos e fomos dar uma volta pela cidade naquela tarde. Foi uma tarde incrível! Fomos até uma praia ali perto para ver o pôr-do-sol. Nós queríamos ver o nascer do sol num dos morros ali perto, pois Gisborne é a primeira cidade do mundo a ver o sol nascer, porém não conseguimos acordar tão cedo e nos contentamos com o pôr-do-sol mesmo. A praia não ficava muito longe do hostel e enquanto caminhávamos conversávamos sobre muitas coisas. Foi um momento único o qual quatro desconhecidos estavam partilhando sem qualquer distinção, apenas ali, no aqui e no agora. O pôr-do-sol foi lindo e entre risadas, sorrisos e brincadeiras nosso dia havia terminado num cenário de tirar o fôlego! Com tudo o que eu havia experimentado até ali, aquele momento na praia, com aquelas pessoas que eu mal conhecia, foi a primeira vez na minha viagem que me dei conta o quão importante as pessoas são. O quanto a vida só tem sentido quando partilhamos momentos com pessoas – sejam elas conhecidas ou completamente estranhos que se encontraram num hostel assombrado, num dia chuvoso, numa pequena cidade da costa leste do paraíso. Eu não sabia o que ainda vinha pela frente, mas eu sabia que se eu tivesse pessoas ao meu redor novamente, tudo ficaria bem, tudo faria sentido.    

            Meu próximo objetivo era chegar em Wellington para então conseguir cruzar o Canal e chegar na Ilha Sul. Até Wellington foram mais algumas horas de viagem, caronas, conversas e claro, muitas surpresas. Meu tempo na Nova Zelândia estava acabando, pois meu dinheiro estava acabando. Eu tinha que dar um jeito de economizar o máximo possível para que eu pudesse entender mais e mais a minha estadia, isso queria dizer: mais caronas e quem sabe, usar a barraca que eu tinha na minha mochila caso eu julgasse que o hostel não fosse mais uma boa ideia. Saindo de Gisborne consegui uma ótima carona de um senhor chamado Rawiri. Ele me levou até Napier uma cidade conhecida por suas paisagens urbanas art decor.

            Rawiri é um professor universitário com quem mantive uma boa conversa durante as horas de viagem. Conversamos sobre ensino-aprendizagem (papo de professor), experiências de vida, viagens que ele havia feito durante a vida dele, enfim, sobre todo o tipo de coisa que 214 quilômetros podem nos trazer. Foi uma excelente companhia e ele abriu minha mente para novas possiblidades, crenças e claro, experiências. As paisagens que vimos durante nossa pequena roadtrip foram de tirar o fôlego. A Nova Zelândia se mistura entre morros verdes, mar, campos e fazendas e é tudo tão intacto que faz parecer irreal. Como se fosse uma maquete que alguém montou com todo cuidado para a escola e que certamente vai receber um A+. Quando chegamos em Napier nos despedimos. Gentilmente ele anotou seu número num pedaço de papel e disse que se houvesse qualquer problema eu poderia ligar para ele buscando ajuda. Ele me desejou uma boa jornada e seguimos nossos caminhos.

            Fiquei em Napier apenas por um dia. Hospedei-me num hostel, comi o que havia sobrado na minha mochila e foi andar para conhecer a cidade. Não iria ficar muito tempo por ali pois eu precisava seguir em frente, Wellington era o meu destino e de lá a Ilha Sul que me aguardava ansiosamente para novas aventuras. Em Napier tive tempo de me organizar e colocar as ideias no papel. Foi quando vi um post no Facebook de alguém precisando de uma babá – brasileira de preferência – para tomar conta de três crianças. Eu tinha experiência com crianças e vi naquilo uma grande oportunidade para estender meus dias no paraíso. E então mandei um e-mail e fiquei aguardando resposta.

            A Ilha Norte me fez refletir e crescer muito como ser humano. Acredito que graças a todos os perrengues que vivi por lá sou uma pessoa mais livre e leve. As horas andando sozinha na estrada me permitiram ver quem eu sou, a ser paciente e a ter fé. As inúmeras paisagens que vi permitiram-me sentir mais perto de Deus e as pessoas maravilhosas que conheci me fizeram acreditar que a vida é a melhor herança que temos. Saí da Ilha Norte com o coração cheio de expectativa e pronta para muito mais. E que venha o inverno, e que venha a Ilha Sul!

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