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A Farsa de Estudar Inglês

February 14, 2019

 

 

Você pode ficar chocado com essa informação, mas o Inglês não é a língua mais falada entre os terráqueos. Apesar de ser uma língua bastante popular graças às indústrias cinematográfica e fonográfica o inglês fica atrás do Mandarim e do Espanhol. Apesar disso, o inglês está aí e ser fluente na língua se faz necessário em um mundo cada vez mais automatizado, globalizado e conectado. O problema é que menos de 3% de nós, brasileiros, são fluentes no idioma. Nós não falamos inglês. Mas por quê? A resposta é simples: porque estudar inglês é uma farsa e já vou explicar o porquê.Mesmo com tantas escolas de idiomas espalhadas no país, incontáveis professores particulares, conteúdos gratuitos e online e incentivos do Governo Federal, o Brasil ficou em 53° lugar – num total de 88 - no ranking da EF EPI[1](Índice de Proficiência em Inglês) em 2018.  Ficamos atrás de países como o Senegal, a Índia, a Costa Rica e outros que não possuem um PIB tão elevado quanto ao nosso. Okay, então isso quer dizer que nossas oportunidades são imensas, mas nossos resultados são um fracasso? Exato! Mas por quê? O que fazer para de fato aprender a língua? Por que é tão difícil para o brasileiro?

Como já disse anteriormente, estudar inglês é uma farsa. Mas antes de ir mais a fundo nisso, precisamos desmitificar algumas coisas sobre o ensino e aprendizagem de idiomas. A – não existe milagre. Você não vai dominar um idioma em três meses ou em um ano. Não dominamos nem mesmo a nossa língua mãe, imagine só uma segunda língua. B – Não existe a metodologia perfeita. Pesquisar sobre as diferentes metodologias e quais se encaixam melhor com o seu modo de aprendizado é meio caminho andado. C – Pagar um curso e dizer que estuda inglês não lhe trará resultados senão trabalhar duro por eles.  Quando você entender quais são seus objetivos para adquirir uma segunda língua, traçar metas concretas e alcançáveis e realmente trabalhar por isso, você vai começar a entender que não se estuda uma língua, mas se aprende. E para aprendê-la é necessário vivê-la.

Claro que em um país onde praticamente só se fala o português, viver a língua inglesa se torna mais difícil e isso pode ser uma desculpa para muitos de nós. No entanto, conheço inúmeras pessoas que hoje moram em países falantes da língua inglesa por anos, porém não falam o idioma. Ao conversar com muitas delas reparei que essas pessoas têm traços comportamentais bastante similares: convivem quase que exclusivamente com brasileiros, não se colocam em situações fora da zona de conforto para forçar-se a falar o idioma, acomodam-se em cidades e comunidades onde a grande maioria apenas fala o português e concluem que aprender inglês não é necessário. 

Há vários artigos na internet falando do fracasso do ensino de língua inglesa no Brasil, a grande maioria deles apontando falhas na proficiência de professores, nas metodologias das escolas, na má qualidade de ensino básico e por aí vai. Apesar de concordar em partes ponderadas dessas informações, há outro problema muito sério do porque os brasileiros não aprendem a língua e esse é um fator comportamental e cultural. O brasileiro não gosta do difícil, não quer ter trabalho e se for chato desiste. Em suma, nós não gostamos de estudar e por consequência, temos preguiça de aprender.

Para construir esse pensamento um pouco melhor, fiz um pequeno questionário onde algumas dezenas de pessoas responderam. Claro que não corresponde a uma quantidade o suficiente de pessoas, porém reflete bem um comportamento bastante presente em nossa cultura: a falta de compromisso em aprender. Antes de tudo é preciso saber que a maioria dos participantes está na faixa etária entre 24 e 50 anos e veem o inglês como uma forma de comunicação e conhecimento geral necessário, porém não diretamente ligado ao mercado de trabalho. E ainda, grande parte diz compreender o que outras pessoas falam, mas tem dificuldades em expressar-se oralmente. No entanto, 47% das pessoas dizem estar dentro de um nível básico (A2) ou intermediário (B1) de proficiência.

Para 60% das pessoas que responderam ao questionário, receber o nível de certificação da instituição é importante ou extremamente importante, e às vezes isso pode ser perigoso, pois alunos e instituições estão, muitas vezes, mais preocupados com a certificação do que com a verdadeira proficiência do aluno. Outro aspecto que me chamou a atenção é que apenas 11% deles dizem ser autodidatas, ilustrando a dependência de nós brasileiros com uma instituição ou um professor para aprender algo. O que de fato não é ruim ou incorreto, até porque é o professor – inserido ou não em uma instituição - que lhe dará a base necessária para evoluir, ao menos é assim que deveria ser. Infelizmente, muitas escolas e muitos professores tem feito um papel inverso na vida dos alunos, mastigando conteúdos e facilitando o processo de maneira demasiada, tirando deles a oportunidade de raciocinar, de pesquisar e de progredir de forma independente.

Nas perguntas que se referiam mais diretamente ao comportamento e pensamento das pessoas acerca da aprendizagem da língua inglesa 54% delas esperam tornarem-se fluentes em no máximo três anos e mais de 80% disse usar tradução durante o processo. Esses dois fatores ilustram bem o quanto o brasileiro quer aprender, porém não está disposto a se esforçar. Alcançar a fluência, por exemplo, é um trabalho feito diariamente pelo resto de nossas vidas, pois há sempre algo novo a se aprender. Tornar-se fluente em uma língua não é apenas comunicar-se, mas utilizar a língua como ferramenta para inúmeras outras coisas.   Nesse processo de aquisição de conhecimento lexical e gramatical, a tradução atrapalha, pois o aprendiz se torna dependente da língua mãe, dificultando e muito a compreensão e a comunicação já que o inglês e o português se diferem muito. Um dos reflexos disso é que muitas pessoas tem dificuldade de se expressar oralmente na língua inglesa (53% dos entrevistados) ou por não ter vocabulário o suficiente ou pela incapacidade de pensar no idioma alvo consequência de estar sempre traduzindo de A para B e de B para A.

 

Sabendo disso, frequentar uma escola de idiomas por no máximo três anos, por uma ou duas horas por semana não parece viável para alcançar tal objetivo da superestimada fluência. 

Outro fator importantíssimo é a diferença entre estudar e aprender. O verbo estudar, geralmente e inconscientemente, está relacionado a um teste que está por vir. Então estudamos e o que acontece? Esquecemos boa parte do conteúdo logo depois do exame. Infelizmente nós ainda não entendemos que aprender uma língua envolve muito mais que a sala de aula e o decoreba de palavras e expressões. Nos resultados da pesquisa, apenas 17% dos entrevistados afirmam ir além da sala de aula. Essas são as pessoas que leem em inglês, que trocam seus aparelhos celulares e computadores para a língua inglesa, que conversam com pessoas estrangeiras em inglês, que veem filmes e séries em inglês, que pesquisam sobre os mais variados assuntos.

 

Estudar é uma farsa porque quando estudamos não necessariamente aprendemos. Para aprender é preciso viver a língua alvo e para vivê-la é necessário esforçar-se, derrubar antigos padrões e trabalhar duro. Isso não quer dizer que será chato, pelo contrário, garanto que você irá se divertir em dobro e em duas línguas diferentes. Para isso, encontre uma escola onde você se sinta bem. Procure entender como a metodologia funciona, faça perguntas e recorra ao Google para pesquisar mais a fundo. Nem toda a metodologia de ensino irá coincidir com o que você busca, com seu estilo de aprendizado e sua personalidade. 

Para finalizar, tenha em mente que aprender inglês não é difícil. Acredito que o mais difícil para nós brasileiros é mudar nosso comportamento sobre o aprender. Quando mudarmos essa mentalidade de que aprender é chato e que inglês é difícil demais, aí sim os números serão bem diferentes. E lembre-se “não diga que você estuda inglês, mas sim que você aprende”, pois há uma grande diferença entre esses dois verbos.

 

 

 

[1]https://www.ef.com.br/epi/

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